10/9/2005 - Logística no e-commerce: um caso de concorrência desl
Logística no e-commerce: um caso de concorrência desleal
Em recente depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as denúncias de corrupção nos Correios, o ex-diretor da empresa, Maurício Marinho, sugere a realização de uma devassa “em todos os contratos firmados pela ECT que envolvam transporte de cargas por meio aéreo, terrestre e fluvial”, dando indícios de que há irregularidades na administração da estatal. No momento em que o Congresso Nacional tem a oportunidade de passar a limpo a gestão da coisa pública no âmbito dos Correios, seria importante revelar, também, uma típica prática não convencional utilizada pela estatal para varrer do mercado os concorrentes privados na área de logística de distribuição. Um bom exemplo disso é o serviço e-Sedex, lançado pelos Correios para competir na distribuição de produtos vendidos por empresas do segmento do comércio eletrônico. Trata-se de uma variação do tradicional e bem-sucedido Sedex, mas que esconde uma prática totalmente discutível, o subsídio cruzado, numa clara tentativa de desestabilizar o setor privado. De forma resumida, esse ataque predatório funciona da seguinte forma; uma encomenda com até 300 g, enviada via Sedex de São Paulo para Minas , Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina custa R$ 12,10. Já o Sedex para pessoa jurídica corretamente oferece descontos no caso de grandes movimentações. Assim, encomendas de até 1 kg, com cota mínima de R$ 7 mil, são entregues nesse mesmo eixo a R$ R$ 6,80. Ocorre que no e-Sedex, serviço oferecido apenas e tão somente às empresas pontocom, a tabela aplicada é bem mais camarada. Dessa forma, encomendas de até 300 g, com cota mínima de R$ 550,00, custam R$ 3,79. Diante desses números fica claro que a maior parte do setor corporativo e a população em geral subsidiam a generosa tabela de preços que a ECT montou para fazer decolar o e-Sedex. Valendo-se de uma prática claramente anticoncorrencial, a estatal viu crescer sua participação no mercado de entregas do e-commerce de maneira significativa. Em 2000, antes da implantação do serviço, a fatia dos Correios nesse segmento era de 4%. Com o lançamento do e-Sedex, em 2001, o percentual subiu para 70%. Todos esses dados não foram obtidos por meio de gravações ou escutas clandestinas. Eles são públicos e de fácil acesso, já que se encontram disponíveis no próprio site dos Correios. A resposta da iniciativa privada a essa desleal concorrência foi uma só: trazer a disputa para o campo da qualidade do serviço prestado e da aplicação cada vez maior de ferramentas da Tecnologia da Informação - o que significou investimentos de grande porte nessa área - de modo a mostrar e a oferecer aos clientes pacotes personalizados em termos de logística; rastreamento da carga; e controle em tempo real da eventual não localização do endereço de entrega, corrigindo rapidamente a rota da encomenda. Isso sem falar de uma rígida política de averbação de seguros protegendo a carga, tanto do ponto de vista do remetente quanto do destinatário. A despeito dessa condenável prática do subsídio cruzado da ECT, o setor privado continua no mercado, entendo que o custo do serviço é importante no momento da contratação, mas não fundamental, pois os nossos clientes estão conosco porque buscamos sempre lhes oferecer soluções inovadoras que, muitas vezes, fogem de uma simples entrega. As palavras-chave são inovação e flexibilidade – projetos desenhados sob medida e quebra de paradigmas. Uma empresa que se mantém fechada para as necessidades do mercado está fadada a morrer. A logística de distribuição ganhou conceitos bem mais ampliados. Marcos Monteiro, presidente da Total Express Marcos.monteiro@totalexpress.com.br
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