As embalagens dos produtos assumiram uma função importante na apresentação, comunicação e diferenciação da mercadoria. No ponto-de-venda elas facilitam a localização na gôndola e oferecem informações para auxiliar a decisão de compra de novos consumidores. Cada unidade de venda é um item amplamente estudado, desde os materiais utilizados e formas até cores e imagens, para que, mesmo depois do uso, a embalagem se torne um objeto útil na vida do consumidor, mantendo, assim, a lembrança da marca.
Entretanto, também existem outros tipos de embalagens. Trata-se daquelas utilizadas no transporte dos produtos. Elas provocam desperdícios e grandes custos para a cadeia de abastecimento. Algumas pesquisas revelam que as frotas de veículos de carga trafegam com apenas dois terços da capacidade permitida e com os vários formatos de embalagens existentes no mercado não é possível utilizar o espaço útil dos caminhões. Na maioria das vezes, as embalagens são caixas de papelão fabricadas sem padrões e sob medida para cada produto, com o objetivo de proteger as mercadorias, da saída da fábrica até chegar à gôndola.
Mas essa falta de padrão acaba prejudicando toda a logística do produto, tanto no momento de armazenar, quanto na exposição nas prateleiras, ou seja, arrumar as gôndolas torna-se um verdadeiro quebra-cabeça, e fica difícil acomodar num mesmo espaço produtos concorrentes, com embalagens e medidas totalmente diferentes.
Além da ausência de padrões, o atual modelo exige que os repositores retirem os produtos das caixas de papelão para acomodá-los nas gôndolas. Depois da reposição, os funcionários levam as caixas vazias e as jogam no lixo ou as destinam para a reciclagem. Na seção de FLV (frutas, legumes e verduras), a situação é ainda mais complexa. Os alimentos exigem uma proteção maior, por serem muito delicados, em que cada toque pode causar danos e reduzir o tempo de vida dos produtos.
Diante desses problemas, uma série de estudos vem sendo realizada pelo mundo, procurando definir alguns padrões para as embalagens, permitindo a melhor utilização no transporte das mercadorias, no espaço de exposição de venda e para ser o módulo de reposição que é colocado na gôndola, retirando-se somente a tampa.
Esse modelo já está bastante avançado na Europa e nos Estados Unidos, principalmente na seção de FLV. Lá já existem embalagens onde frutas, legumes e verduras são colocados em caixas com tamanhos similares. Nesse caso é expressiva a redução de mão-de-obra de reposição e, mais do que isso, se ganha com a qualidade do produto colocado à venda, porque o único contato com os alimentos ocorre quando são introduzidos na caixa pelo produtor.
Esse trabalho é conhecido mundialmente como Shelf-Ready Package e, no Brasil, como embalagem pronta para a gôndola. Esse novo modelo de caixa é um dos assuntos analisados pelo ECR Europa, nos países membros que participam da organização, com o intuito de trazer soluções que auxiliem cada vez mais a cadeia de abastecimento. A Associação ECR Brasil também vai participar do estudo, trazendo resultados para o mercado nacional.
Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil
e-mail:ecr@ecrbrasil.com.br