13/8/2008 - Falta de conferência é o principal fator de perdas no
Falta de conferência é o principal fator de perdas no varejo
As perdas no segmento atacadista costumam ocorrer com maior incidência nos setores que possuem produtos de menor vida útil, os chamados shelf life – perecíveis, por exemplo. Já com bens duráveis, os desperdícios ocorrem principalmente nos itens de alto risco, aqueles de maior valor agregado, de tamanho relativamente pequeno e, normalmente, também comercializados no mercado informal.
Sejam entre os atacadistas de auto-serviço; de encomendas; de operações mistas; de clube de benefícios; ou, até mesmo, os chamados “atacarejos”, a maior parte das perdas ocorrem principalmente por falta de conferência, seja no ato de recebimento ou mesmo no momento da venda, haja vista o volume transacionado ou de grande movimento.
Mesmo que ocorram problemas de transporte, armazenagem ou entrega, uma conferência bem feita vai identificar este problema, seja na entrada da mercadoria ou mesmo na saída. De forma geral, podemos citar como segmentos de produtos que mais sofrem com as perdas os seguintes grupos:
- Frios, FLV e Açougue: são alvos da falta de conferência em relação à qualidade, entrada por peso padrão e saída pelo peso real, falta de aferição de balanças e pesos das embalagens além do pouco controle de vencimentos.
- Perfumaria Fina, Bebidas Importadas; Informática, Telefonia e Eletroeletrônicos: grupo de alto risco pelo valor das mercadorias, na maioria das vezes não dispõe de recursos de vigilância eletrônica. Conseqüentemente, os furtos, tanto internos quanto externos, são altíssimos.
- Mercearia e Bebidas em Geral: costumam ser alvos de armazenagem inadequada e exposição sem a prática do giro correto do estoque, implicando perda por vencimento da validade.
Assumir que as perdas no varejo são apenas do fornecedor (máxima vigorou fortemente no setor) não corresponde à realidade. Somente agora, às vésperas da primeira década do novo milênio, começam a aparecer os sinais de conscientização no sentido de mudança, caracterizando um efeito de “distribuição reversa das perdas”.
Para ilustrar o exemplo acima, tomemos como exemplo um cliente insatisfeito com a qualidade de um produto. Ele certamente reclamará para o distribuidor e devolverá a mercadoria, deixando de comprar naquele local e, pior, formando uma imagem negativa do produto. Já o dono da loja tentará trocar a mercadoria com o fabricante; se conseguir, poderá, ou não, superar o conflito com o consumidor, mesmo assim vendendo menos e comprando menos; caso não conte com o apoio do fabricante, certamente este lojista irá retirar o produto de linha deixando de comprá-lo. Agora, imaginemos que o problema com esta mercadoria fosse um fato pontual ou isolado na produção. Pode-se afirmar que todos saíram perdendo, além da venda, o tempo e toda a logística de entrega e reversa.
André Lucena – Gerente de Projetos da RGIS (Retail Grocery Inventory Services, na sigla em inglês) – Divisão América Latina thiago@versatilcomunicacao.com.br
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